Resolvi escrever esta postagem exclusiva sobre o CHEO - em francês, Centre Hospitalier pour Enfants de l'est de l'Ontario - para tranqüilizar futuros imigrantes que têm filhos pequenos e que já saem do Brasil preocupados com a questão da saúde no Québec.
Como a maioria das pessoas envolvidas no processo de imigração já sabe, esse assunto aqui é um caso realmente sério. E por mais que essa situação seja absolutamente incompatível com o status de primeiro mundo que o Canadá detém, depender da ala de urgência dos hospitais daqui (principalmente na cidade de Gatineau) é um verdadeiro caos.
Mas nem tudo está perdido, para nós que moramos à coté de la capitale nationale. Basta atravessar a ponte e já estamos em outra província, onde as coisas são um pouco diferentes daqui, inclusive o atendimento hospitalar. E falando especificamente das crianças, grande preocupação de qualquer pai e mãe que chega de mala e cuia num novo país, CHEO é o lugar!
Pois é, no dia 12 de junho fomos pegos de surpresa com um telefonema da escola da Carol dizendo que ela havia se machucado enquanto brincava no intervalo após o almoço, e que ela estava sentindo muita dor, que deveríamos buscá-la para levar ao hospital. E agora?? Sabíamos que se fôssemos ao Hospital de Hull ficaríamos horas esperando sem nada ser resolvido. Então, me lembrei de uma conversa que eu havia tido meses atrás com a Gislaine e com o Eduardo
justamente sobre saúde. E eles tinham comentado conosco sobre um hospital só para crianças em Ottawa, que já haviam levado a Gabriela lá, e que era muito bom, etc. Ligamos para eles para pegar as coordenadas de como chegar e fomos.
Realmente, não há comparação com nada que já conhecemos aqui no Québec até agora. Num prazo total de 2h15 a Carolina foi medicada (logo na chegada, pois estava chorando de dor), fez o cadastro no hospital, fez um raio-X, foi atendida pelo médico e fez uma tala. Não houve fratura (apesar de ter batido a mão contra o muro com toda a força, jogando basquete), mas ela estava sentindo muita dor. Então, o médico resolveu imobilizar por uma semana e encaminhá-la ao especialista para verificar se havia uma lesão no ligamento. Antes de sairmos da sala ele disse que o hospital entraria em contato conosco na semana seguinte para dizer o horário e o local do retorno. Fantástico! Além disso, todo o pessoal do hospital que nos atendeu foi superatencioso, simpático e educado. Quando viam que a Carol não falava o inglês e sim o francês, mesmo os que não dominavam a língua tentavam se comunicar com ela em francês. Achei o máximo! E detalhe, tudo feito com a carteirinha da Assurance Maladie do Québec.
Na semana seguinte, dito e feito. Uma atendente me ligou, já em francês, marcando o retorno direto com uma especialista. Como eu não poderia ir e nem o Paulo e nem a Carolina falam o inglês, pedimos para a Marina ir com eles dar uma força. A médica retirou a tala e avaliou o polegar direito diagnosticando que o ligamento realmente havia sido lesado com a pancada. Diante disso, encaminhou-os para um prédio anexo ao hospital onde uma ergoterapeuta assumiu o "caso". Ela moldou na própria mão da Carol um aparato chamado ortese. É feito de um material novo, meio plástico, que quando quente fica mole e pode ser moldado diretamente sobre o local lesado. Aí a terapeuta colou um velcro nas extremidades e pronto. Isso significa que ela pode retirar o imobilizador sempre que molhar a mão, para secá-lo ou lavá-lo. Bem Legal! E ela o moldou de forma que somente a área lesada fica imóvel, o pulso fica solto. Disse, inclusive que a única atividade realmente proibida seria o voleibol, o resto, estava liberado! Muito interessante.
Hoje completam 6 semanas que Carol está com o polegar imobilizado, prazo estipulado pela médica. E como acertado no último retorno antes da viagem ao Brasil, a partir de hoje ela não precisa mais ficar com ele 24h por dia, somente nos períodos em que estiver se movimentando mais, brincando... e dia 3 de setembro volta ao consultório da especialista para ver o resultado do tratamento. O custo?? Somente Cad$10,00, pelo material usado na confecção do ortese, como uma taxa de manutenção, para que o consultório nunca deixe de ter material quando necessário. Show de bola!! Adoramos!

Carolina com a tala colocada na emergência do CHEO
Então é isso... para quem tem filhos de até 18 anos, não se preocupem. Pelo menos para eles, um ótimo atendimento médico-hospitalar já está garantido! Abraços a todos!Lu