domingo, 13 de julho de 2008

CHEO - Children's Hospital of Eastern Ontario

Resolvi escrever esta postagem exclusiva sobre o CHEO - em francês, Centre Hospitalier pour Enfants de l'est de l'Ontario - para tranqüilizar futuros imigrantes que têm filhos pequenos e que já saem do Brasil preocupados com a questão da saúde no Québec.

Como a maioria das pessoas envolvidas no processo de imigração já sabe, esse assunto aqui é um caso realmente sério. E por mais que essa situação seja absolutamente incompatível com o status de primeiro mundo que o Canadá detém, depender da ala de urgência dos hospitais daqui (principalmente na cidade de Gatineau) é um verdadeiro caos.

Mas nem tudo está perdido, para nós que moramos à coté de la capitale nationale. Basta atravessar a ponte e já estamos em outra província, onde as coisas são um pouco diferentes daqui, inclusive o atendimento hospitalar. E falando especificamente das crianças, grande preocupação de qualquer pai e mãe que chega de mala e cuia num novo país, CHEO é o lugar!

Pois é, no dia 12 de junho fomos pegos de surpresa com um telefonema da escola da Carol dizendo que ela havia se machucado enquanto brincava no intervalo após o almoço, e que ela estava sentindo muita dor, que deveríamos buscá-la para levar ao hospital. E agora?? Sabíamos que se fôssemos ao Hospital de Hull ficaríamos horas esperando sem nada ser resolvido. Então, me lembrei de uma conversa que eu havia tido meses atrás com a Gislaine e com o Eduardo
justamente sobre saúde. E eles tinham comentado conosco sobre um hospital só para crianças em Ottawa, que já haviam levado a Gabriela lá, e que era muito bom, etc. Ligamos para eles para pegar as coordenadas de como chegar e fomos.

Realmente, não há comparação com nada que já conhecemos aqui no Québec até agora. Num prazo total de 2h15 a Carolina foi medicada (logo na chegada, pois estava chorando de dor), fez o cadastro no hospital, fez um raio-X, foi atendida pelo médico e fez uma tala. Não houve fratura (apesar de ter batido a mão contra o muro com toda a força, jogando basquete), mas ela estava sentindo muita dor. Então, o médico resolveu imobilizar por uma semana e encaminhá-la ao especialista para verificar se havia uma lesão no ligamento. Antes de sairmos da sala ele disse que o hospital entraria em contato conosco na semana seguinte para dizer o horário e o local do retorno. Fantástico! Além disso, todo o pessoal do hospital que nos atendeu foi superatencioso, simpático e educado. Quando viam que a Carol não falava o inglês e sim o francês, mesmo os que não dominavam a língua tentavam se comunicar com ela em francês. Achei o máximo! E detalhe, tudo feito com a carteirinha da Assurance Maladie do Québec.

Na semana seguinte, dito e feito. Uma atendente me ligou, já em francês, marcando o retorno direto com uma especialista. Como eu não poderia ir e nem o Paulo e nem a Carolina falam o inglês, pedimos para a Marina ir com eles dar uma força. A médica retirou a tala e avaliou o polegar direito diagnosticando que o ligamento realmente havia sido lesado com a pancada. Diante disso, encaminhou-os para um prédio anexo ao hospital onde uma ergoterapeuta assumiu o "caso". Ela moldou na própria mão da Carol um aparato chamado ortese. É feito de um material novo, meio plástico, que quando quente fica mole e pode ser moldado diretamente sobre o local lesado. Aí a terapeuta colou um velcro nas extremidades e pronto. Isso significa que ela pode retirar o imobilizador sempre que molhar a mão, para secá-lo ou lavá-lo. Bem Legal! E ela o moldou de forma que somente a área lesada fica imóvel, o pulso fica solto. Disse, inclusive que a única atividade realmente proibida seria o voleibol, o resto, estava liberado! Muito interessante.

Hoje completam 6 semanas que Carol está com o polegar imobilizado, prazo estipulado pela médica. E como acertado no último retorno antes da viagem ao Brasil, a partir de hoje ela não precisa mais ficar com ele 24h por dia, somente nos períodos em que estiver se movimentando mais, brincando... e dia 3 de setembro volta ao consultório da especialista para ver o resultado do tratamento. O custo?? Somente Cad$10,00, pelo material usado na confecção do ortese, como uma taxa de manutenção, para que o consultório nunca deixe de ter material quando necessário. Show de bola!! Adoramos!

Carolina com a tala colocada na emergência do CHEO

Então é isso... para quem tem filhos de até 18 anos, não se preocupem. Pelo menos para eles, um ótimo atendimento médico-hospitalar já está garantido!

Abraços a todos!

Lu

3 comentários:

Carolina disse...

Como é bom saber que existe um sistema que funciona (e é gratuito!).

Que bom que a minha chará se recuperou bem!

abç,
Carol.

Anônimo disse...

Lu que bom que voces voltaram, quando o Tiago me falou fiquei super feliz, estou morrendo de saudades, e em breve estamos chegando.
Beijos em todos

Yara

Les Cariocas disse...

Isso também nos motiva um bocado!! já precisei de atendimento aqui...5 horas e meia por uma consulta de 10 minutos péssima! fiquei apavorada quando imaginei uma emergencia para nossa filha... nao dá pra ficar tranquila com um fantasma desses! Que diferença de atendimento desse hospital que foram! Graças a Deus!